segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

AEROMODELISMO - MODELISMO


Aqui estou eu tentando escrever algo interessante sobre uma pergunta constante em nossos meios de comunicação sobre o titulo do artigo : "Como começar ? Onde ?.

Leio com atenção a bela revista Hobby News bem como acompanho a página da Internet do E-Voo. Alias como estou meio preso em meu apartamento já por mais de dois meses, (oh  praga de operação), peço a ajuda de meus amigos para me enviarem outros títulos que eventualmente não conheço.

Ao escrever estas primeiras linhas, tenho que concordar com meu medico.
Devo esperar um pouco mais  pois  tenho uma leve tontura proveniente dos remédios que estou tomando. Até para revisar o que escrevi está difícil. Peço que me desculpem, e assim que a coisa melhorar, voltarei ao assunto.
Walter -  wnutini@globo.com


Hoje 03/06/2013 - fui liberado para escrever nosso blog. Operado dos quadris, já ando direitinho.

Bem amigos deste blog, "após um longo e tenebroso inverno" - (este é um titulo de livro) volto a estas páginas para dar continuidade ao artigo "como começar".

O universo avançou muito em tecnologia radio-controlado. Como se produz em alta escala todos o produtos necessários para um aeromodelo, é evidente que as varias modalidades da pratica estão também ganhando preferencia dos aeromodelistas. O custo baixou muito e está ao alcance da maioria dos praticantes. O equipamento  eletrônico simples equivale a uma boa bola de futebol.

Acho que o mais importante é saber onde se praticar o hobby. Analisando os tipos de uso talvez tenhamos encontrado o melhor caminho, por exemplo: U-Control ou VCC - Voo circular controlado.

O local deve ter um espaço de uma pista circular com no mínimo 50 metros de diâmetro. Em qualquer cidade é fácil encontrar tal espaço e se possível encontrar uma já asfaltada para a pratica. Em geral há bons clubes, como em São Paulo o CASA em Santana ao lado do clube Esperia.
É um ótimo clube com dirigentes apaixonados, que dedicam seus fins de semana a organizar e ensinar quem quer que apareça a pilotar um modelo prontinho para testes.
Este Clube, tem uma das provas anuais mais interessantes.
 Numa data pré-determinada logo cedo distribuem a quem se inscrever,  caixas de madeira onde transporta-se cebolas. E é só. Vários grupos são formados e com este material até o fim da tarde do dia anterior à prova de voo, constroem seu aeromodelo do tamanho e formato que bem lhes aprouver. Trazem seus motores Glow, colas, lixas, e vão apara o oficina do clube onde ferramentas e maquinas não faltam. Uma loucura.

No dia seguinte logo cedo começam o voos os quais  são avaliados por juízes competentes. Uma variedade enorme de estilo e tipos, criação de cada competidor e a maioria voam muito bem.

Na modalidade do VCC são praticados os voos de acrobacia, velocidade, escala, corrida em conjunto e combate. As provas de Combate são sensacionais,   disputadas nas chamadas australianas com mais de 4 concorrentes  juntos dentro do circulo,  são o delírio do público e não duram muito, com quase todos os modelos se espatifando no solo. A Equipe Senta-Pua da  ABA já comentada neste blog, fazia a festa nas exibições quando da abertura de Campeonatos.

Para quem quiser saber mais detalhes das modalidade de VCC, tenho um filme a disposição e podem ser solicitados através de meu e-mail
 wnutini@globo.com

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

FELIZ ANO NOVO

 
 

ANO NOVO -  Voltei!  Mais ou menos

 
 
 
Ainda é um pouco cedo para poder voltar a escrever. Tenho mais 20 dias de castigo me resguardando da operação enjoada que sofri.

Mas, como curiosidade, abri o computador e não aguentei a vontade de dar uma olhada neste  Blog.
Surpreso e muito feliz, verifiquei que o danado já recebeu o incrível número de mais de 2.000 visitas Isto é apenas uma prova de quantos apreciadores e interessados tem o nosso hobby-esporte-ciência.
 
Estou bem animado em prosseguir escrevendo, assim que puder.

Enquanto isso, outra curiosidade:

Minha TV teve um problema e chamei um técnico para consertá-la. Ao entrar no apartamento ele passou pela minha oficina (adaptada no pequeno quarto de empregada). Olhou as ferramentas, os modelos  etc... e  foi consertar a bandida. Felizmente era coisa rápida.
O jovem, de uns 35 anos e de poucas palavras,  disse pouco sobre o conserto, mas fez questão de contar que também é aeromodelista, que aprecia muito o hobby e entre outros comentários disse:

 "Recentemente comprei um RC-Ungly Stick. Aprendi a voar e me divirto muito num campinho perto de casa com esse simples e bom voador. Agora estou comprando um Kit do F22 a jato. Só falta um dinheirinho a mais para comprar a turbina, etc..."

Agora me pergunto: Quantos milhares de aeromodelistas como esse jovem existem ou existiram por aí, que sem um bom aconselhamento, apaixonados desde a infância pelo voar, entram numa loja e adquirem,  levados pelo entusiasmo,  e o que um bom  vendedor oferece?

Espero que os bons negociantes  sempre orientem os novatos. Já pensaram um aeromodelista sem ter ao lado um colega conhecedor e num campo aberto  começa a voar  RC a jato  e tenta  voar um F22  que facilmente chega a 200 quilômetros/hora?  Quanta dificuldade ele encontrará? E o  perigo para ele, e os eventuais apreciadores e para o próprio aeromodelismo ? Quantas más noticias já ouvimos sobre situações assim?

Baseado no  comentário acima, no próximo artigo que publicar tentarei opinar - sem pretender ser  didático -  porque o aeromodelismo que tem um enorme potencial para tornar-se um esporte em evidência,   fica  patinando sem maior interesse da mídia. Na realidade para a mídia em geral, noticia boa não é noticia. Mas em se tratando de desastre!  é só verificar todos os dias.

ATENÇÃO MINHA GENTE. Todo cuidado é pouco.
 







segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

VOLTEI


VOLTEI?    OPERAÇÃO DOS QUADRIS - Troca da cabeça do Fêmur

Informo aos meus amigos leitores que estou retornando de uma  complicada cirurgia a que fui submetido no quadril.  Tudo correu bem, mas tenho que permanecer de molho por  mais 30 dias.
Agradeço aos inúmeros telefonemas recebidos, o que certamente é muito importante para minha recuperação. Também, para isso, muito colabora a excelente enfermeira que me acompanhou e me acompanha - minha esposa Daisy -  De coração, a todos,  OBRIGADO.

Como estou sob vigilância constante para não abusar durante minha convalescência, só poderei fazer postagens  mais longas sobre nosso esporte quando estiver liberado para ficar mais tempo sentado no computador.  Entretanto rapidamente vou contar por que fui procurar auxílio médico para as dores que vinha sofrendo no quadril.

Recebi um dia a cópia de um belo filme realizado no Ginásio do Ibirapuera feito pelo amigo Álvaro Sala,  quando na época pedi ao Cezar  Cipolla para pilotar  meu Demoiselle, uma vez que construir ainda sei, mas voar...!  O voo foi  lindo e apareço emocionado pela delicadeza do modelo, cópia fiel do original de Santos Dumont.
O filme termina com minha ida ao encontro do modelo já aterrissado e desligado. Tudo muito bacana.
Entretanto, quando assisti  a cópia  notei aquele senhor de cabelos brancos arrastando os pés como um velho.  Era eu!  
"Puxa", pensei, "mas somente tenho 82 anos. A culpada só pode ser a dor no quadril"
Procurei no dia seguinte meu sobrinho ortopedista e após um raio X, a sentença:
 "TIO,  VOCÊ  TEM QUE OPERAR O QUADRIL".  Lá fui eu. Fim da  história.

Viram? Encontramos mais uma utilidade no aeromodelismo.

 Até mais, se Deus quiser.

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Para descontrair: ver no You Tube, DEMOISELLE - IBIRAPUERA - WALTER










sexta-feira, 23 de novembro de 2012

MODELÓDROMO - PARTE FINAL

 
 
 
 

Modelodromo - Parte final

                                                         Placa da Prefeitura no local


Como esclareci em artigo anterior, quando  ocorrem problemas com o Modelodromo, sendo
veterano e criador do local, sou solicitado a ajudar e resolver situações complexas com  autoridades,
como por exemplo:

Em 1992  Luiza Erundina era Prefeita da cidade. Simplesmente, um dia  ela deu ordens para que o Modelodromo fosse fechado.  Me telefonaram pedindo ajuda urgente. Perguntei qual a razão da ordem. Informaram  que  em visita ao local ela considerou aquele espaço, que é tão nobre na cidade, pouco usado pelos modelistas.
 
Imediatamente telefonei para  o  amigo Maj. Brigadeiro Sócrates Monteiro, na ocasião Comandante do 4º Comando Aéreo, pedindo socorro. Um encontro agendado pelo seu suboficial e já no dia seguinte estávamos defronte à Prefeita. Esclareci da enorme dificuldade enfrentada junto à Prefeitura para conseguir a  construção daquele Centro de Modelismo e do grande interesse da Aeronáutica  para incrementar  nos jovens a vocação  para as carreiras militares. Argumentei que a ausência de praticantes nos dias de semana  era devida ao fato de ser a maioria deles estudantes ou  trabalhadores, o que ocorria normalmente em todos os esportes amadores.
A Prefeita solicitou mais alguns esclarecimentos sobre o funcionamento das atividades no local.
Em seguida, chamou seu Secretário de  Esportes Sr. Juarez Soares e ditou:

Decreto nº  31.343, de 20 de Março de 1992 - revigora o Decreto  nº 17.149, de  26  Janeiro de 1981, que permitiu  o uso de área Municipal à Federação Paulista de Aeromodelismo, e revoga o Decreto nº 22.243, de 23 de Maio de 1986. LUIZA ERUNDINA DE SOUZA, PREFEITA.

Assunto solucionado.

No ano de 1996 os jornais da cidade estamparam a notícia:  PISTA DE RALLY  ESBURACA  ÁREA MUNICIPAL - (Modelodromo). No dia seguinte, a subprefeitura de Vila Mariana fecha o local e manda o aloprado responsável pelo esburacamento tapar o buraco,  refazer  o jardim   desaparecer com o trator que acabara com o gramado. E, lógico, abriu inquérito. Prato cheio para imprensa, e para a oposição da Prefeitura na Câmara Municipal.
 
O aloprado, um nautimmodelista que se intitulava presidente da Federação (desde que ela se achava sem presidência constituída na ocasião), resolvera fazer uma pista de Rally para Jipes ladeando o tanque de nautimodelismo. No escândalo da situação, ele sumiu. O vereador Aurélio Miguel, presidindo a comissão de inquérito formada a respeito, convocou a mim para dar esclarecimentos. Lá fui eu sabatinado por mais de três horas por vários vereadores. Deixei documentos e fotos contando a história do Modelodromo, as quais foram juntadas ao inquérito.
 
O local foi reaberto com inúmeras  restrições.

Ano de 2007 
Os jornais publicaram reclamações de moradores vizinhos com fotos do Modelodromo. No local circulavam marginais, viciados, famílias de desabrigados que utilizavam o tanque de nautimodelismo para lavar roupa e tomar banho. Os nautimmodelistas não podiam mais pôr seus barcos na água. Suas belas reproduções sofriam ameaças de quebra.  Foram constantes as noticias  nos jornais.
 Uma lástima. Escrevi uma missiva para o então Prefeito José Serra.
Fui encaminhado ao  Secretário de Esportes Dep. Walter Feldmann que me atendeu prontamente e prometeu resolver o problema. Realmente, mandou imediatamente reformar todo o conjunto do Centro com pinturas novas, limpeza dos jardins e a construção de duas salas novas onde instalou escolas de modelismo, uma ideia sua. Até um serviço de segurança foi providenciado. Melhor seria impossível. Um  politico de palavra. Coisa rara.

O Modelodromo reformado continua em ordem, hoje é um CDM, clube desportivo da Prefeitura, mas sofre os mesmos problemas de sempre.  Um deles é a falta de entrosamento entre as modalidades que lá atuam onde cada um decide o que é melhor para si.  Continua um espaço precioso da cidade, ocupado por poucos e decorridos tantos anos, os cidadãos que vivem em São Paulo não conhecem o local.
Público nas belas arquibandas  construídas em concreto é quase  sempre ZERO. E não tem o que apreciar.

Acredito que o  pior dos problemas, porém, é falta de direção. Quando foi inaugurado o Centro, a Prefeitura permitiu que ficasse sob a direção da Federação Paulista de Modelismo.   Naldoni, o fundador da Federação, por razões de trabalho afastou-se do modelismo. Eu segui para a presidência da ABA dedicando-me ao aeromodelismo e passei a frequentar menos o Modelodromo.
 
Nos  anos que se seguiram, a presidência da Federação passou por vários modelistas.
Não sei  qual a razão, nem quando, um  presidente da FPM resolveu alterar os estatutos da mesma que passou a ser Federação Paulista de Aeromodelismo.  Um desastre total. Daí para frente o que aconteceu? Virou bagunça, brigas entre os praticantes. Sem regras definidas e sem comando. O dirigente da FPA passou a só se interessar por aeromodelismo. E o restante?
 
Quando foi criada a FPM conseguimos juntar forças com as cinco modalidades diferentes. A Federação teria um Presidente e as  modalidades Aero, Auto, Férreo, Nauti e Plasti teriam seus associados utilizando cada espaço especial e um representante junto ao Conselho da Federação.
Significava juntar forças de todos para a organização e o aumento de frequência  cada vez  maior numa cidade com mais de 12 milhões de almas.

Recentemente visitei o Modelodromo num final de semana prolongado, levando minha bisneta para brincar com uns aviões de papel que fiz para ela. O que vi foi um desalento.

Vamos lá.

10 horas da manhã:

CACHORRÓDROMO - Fica onde originalmente foi traçada  uma pista para o funcionamento de automodelo ou ferreomodelo escala grande. Funcionando bem, com  um guarda  no portão, é organizado pelos moradores vizinhos para uso de seus lindos cães  E bem limpo. Certa vez foi até alugado  para festas e competições de Pit-Bulls.

NAUTIMODELISMO - Alguns barcos e veleiros, rádio controlados,  faziam manobras. Nenhuma explicação para os poucos que  os apreciavam.  Bem,  pelo menos estavam lá utilizando o tanque.

AEROMODELISMO  - Dois praticantes, um em cada pista, treinando sozinhos para suas  eventuais
competições.  Pistas exclusivas só para eles. Sem treino para iniciantes. Quase deserto num final de semana.

AUTOMODELISMO -  Administrado por profissional que cobra o uso das pistas que é propriedade da  Federação. Estava totalmente vazio.

PLASTIMODELISMO - Tudo fechado.

FERREOMODELISMO -

Com dois (acho)  dirigentes e todas  AS MAQUETES desmanchadas,  de todas as bitolas. Antes haviam várias bem montadas, com bitolas diferentes para eventual uso e apreciação do público.
Estão construindo novas e se houvesse algum visitante, não teria o que ver. Faltou previsão administrativa para exibição. Afinal é um espaço público, é da Prefeitura, não um clube fechado para poucos. 
No andar superior do prédio existe uma sala onde funcionava a diretoria da Federação e o  local de reuniões. 
Não sei como, conseguiram reformar e transformar num espaço particular de ferreomodelismo para instalação  de maquetes pequenas, com dois banheiros para uso exclusivo da modalidade.
Aliás, não há mais nenhuma sala da Diretoria da Federação. Mesmo porque fecharam a Federação. O nome de Federação que está sendo usado junto à Prefeitura, é o nome de um clube particular.
Quando necessitam discutir algo de interesse geral, encontram-se no barzinho do subsolo. E mais: material de escritório,  de competições,  fichários, mesas, cadeiras, máquinas de escrever, troféus ?  Sumiram.
 
Já imaginaram se ao invés de ser eu a visitar o local fosse um dirigente da Prefeitura? Já estaria fechado.

PRAÇA EISENHOWER

Lembram-se? quando foi inaugurada, a praça onde fica o Modelodromo recebeu o nome do Presidente Americano.  No local próximo ao tanque de água, foi construído um pedestal de concreto com a placa alusiva ao evento.
Pois bem, o pedestal lá está mas a placa foi roubada. Que bela homenagem nós paulistanos prestamos!

Recentemente, apenas como um veterano aeromodelista que sou, aproveitei  o encontro que tive com o atual Secretário de Esportes do Município no clube PANATHLON, do qual sou associado, e entreguei a ele um histórico do Modelodromo, incluindo sugestões para a administração do local,  caso venha a saber dos  problemas, e mal informado mande instalar ali um Parquinho de Diversões.
Nunca soube se ele sequer leu alguma coisa.

 Agora vamos ter a partir de Janeiro de 2013, novo Prefeito e novo Secretário de Esportes.
Se a comunidade de modelistas não estiver atenta à boa organização e utilização do MODELÓDROMO, o jeito é rezar para Todos os Santos. A não ser que todos prefiram  ter um Parquinho naquele espaço.

Acreditem, meu objetivo não é lavar roupa suja. É apenas um desabafo de alguém que luta  pelo modelismo nacional.

Caros leitores, informo que serei operado na próxima semana. Com  a idade avançando, ando  mal das pernas e o médico, meu sobrinho ortopedista,  quer trocar algo nos meus quadris. Vocês sabem, carro velho de vez em quando tem que trocar os amortecedores. Assim, como vou rezar pelo Modelodromo, aproveito para rezar também para que tudo corra bem  na cirurgia e eu possa  (se me aturarem)  em breve voltar a escrever estas bobagens no Blog.

 TCHAU










segunda-feira, 12 de novembro de 2012

MODELÓDROMO - CENTRO DE MODELISMO DO IBIRAPUERA

MODELODROMO

2º CAPITULO

Meus amigos, vou continuar  a história do Modelodromo. Se considerarem que o assunto é muito  chato, por gentileza me avisem. Prometo, eu paro.
Acredito que o mais importante já foi mencionado. Vou procurar ser o mais sucinto possível.
 
Após a devida licitação, foi finalmente iniciada a  construção. Acompanhamos as obras  de perto.
Foram várias visitas à Prefeitura, inclusive de minha esposa, Daisy, que não deu folga ao sr. Diderot, responsável pelo Departamento  Parques e Jardins. Tudo caminhou muito bem e sempre de acordo com o projeto original. Confesso que nunca imaginei que seríamos atendidos tão bem e a espera pela conclusão das obras foi de grande preocupação e ansiedade. A inauguração foi marcada para Abril de 1968.

FINALMENTE o grande dia chegou com direito a Banda Militar da Aeronáutica, um público enorme e a presença  de  muitos aficionados representando os vários tipos de modelismo.
 Como autoridade principal lá estava aquele que havia se tornado um  amigo, o Prefeito Brig. Faria Lima, acompanhado de sua esposa Iolanda, do Almirante Hélio Leite comandante do 6º Distrito Naval, William Leeds, Consul Adjunto dos EUA , e todo o secretariado da Prefeitura.

Fotos extraídas da Sport Modelismo - Brig.. Faria Lima

A Praça onde se localiza o  Modelodromo fica a 50 metros do obelisco no Ibirapuera. Naquele dia de Abril  ela foi  batizada de Praça  Eisenhower, em homenagem ao grande presidente americano falecido naquela ocasião. Descerrada a placa comemorativa em um pedestal de concreto, os discursos habituais foram iniciados com a palavra do presidente da Federação Paulista de Modelismo, Antônio Emilio Carlos Naldoni, agradecendo em nome dos modelistas ao Sr. Prefeito a quem  entregou, como lembrança do evento,  uma pequena locomotiva dourada e um modelo réplica do avião PA-20, igualzinho ao que fora pilotado pelo Brigadeiro na FAB.
 
Em seguida, o Consul americano agradeceu o convite que  lembrou o homenageado Presidente Eisenhower, elogiou a bela praça e terminou seu empolgado discurso com a frase:  "o Sr. Prefeito é considerado por todos nós como o maior prefeito de São Paulo em todos os tempos". 
Emocionado, o Brig. Faria Lima fez suas considerações afirmando que seu lema de "portas abertas" permitiu a construção daquele local e que estava feliz, pois já havia  recebido correspondência das prefeituras de Buenos  Aires e Londres solicitando cópia dos projetos do novo Modelodromo.

A festa da inauguração continuou com várias demonstrações de voos com aeromodelos,  combates aéreos, e apresentações de modelos navais, como veleiros , lanchas, transatlânticos e  até  o Destroier do Mammini.

Foi um belo espetáculo.


RE-INAUGURAÇÃO

Meses após a inauguração, o querido Brigadeiro veio a falecer, uma perda irreparável para nós.
Em  1969,  com a saída do Naldoni, fui eleito para presidir a ABA, ficando lá por longos oito anos.
 
Corria o mês de Agosto quando recebi um  convite para me apresentar ao 4º Comando Aéreo para participar de um encontro com o seu comandante, Brig. José Vaz da Silva, sobre a organização dos festejos do Dia do Aviador.
No anfiteatro onde aconteceu a reunião, encontravam-se vários representantes da aviação brasileira.  Orientados pelo Brigadeiro, cada um fazia seu oferecimento para o evento. Uns fariam tocar sinos dentro das aeronaves em voo exatamente na hora em que o  14 - BIS voou, outros prometiam preleção a respeito feita pelas aeromoças aos passageiros, a Varig soltaria triângulos prateados quando passasse pela cidade etc...E eu fiquei por último.  Apontando sua baqueta para mim, disse o Brigadeiro : "E o jovem aí quietinho de onde é? E o que tem a oferecer?"
Represento o aeromodelismo, respondi, mas infelizmente nada tenho a  propor.
Várias vezes somos convidados a  fazer  exibições nessas  datas. As Bases Aéreas geralmente as comemoram fazendo voos com seus aviões  em suas cidades e convidam o povo para  apreciar.
 À noite são oferecidas lindas festas com jantares.  Uma corbelha de flores é colocada no busto de Santos Dumont (aí acho que abusei).  Mas algo especial para os jovens? ... nada .
"Temos um Centro de Modelismo pronto no Ibirapuera, faltando apenas um alambrado para proteger o  público dos eventuais  voos desastrados dos aeromodelistas. Nessas condições, por segurança, não posso liberar para voo. No dia poderíamos fazer uma grande festa em São Paulo, convidando especialmente os jovens, os futuros aeronautas.
Mas quem consegue falar com o novo Prefeito?"  (o novo era o  Snr. Paulo Maluf, por indicação do governo militar, pois na época não havia eleição para tal). A única coisa que podemos fazer é esperar.
 
Educadamente o comandante agradeceu a todos os presentes, despedindo-se. Olhou para mim com ares de poucos amigos e pediu que o acompanhasse. Pensei: " preso".
Em sua sala, mandou bala: "Gostaria de saber qual a razão de sua malcriação"
Respirando fundo, informei sobre a construção do Modelodromo inaugurado recentemente pelo Brig.  Faria Lima. Por falta de tempo, pois seu mandato como prefeito tinha se esgotado,  ficou  faltando um alambrado de proteção ao redor das pistas de aeromodelismo. Sem elas o perigo seria enorme com modelos voando a 200 quilômetros p/h. podendo atingir o público no caso de barbeiragem ou acidente. O atual prefeito informado sobre a  solicitação ainda não se pronunciara.
 
Mais calmo, entendendo o problema e fazendo algumas perguntas, o Comandante pegou um telefone de cor vermelha, e fez uma ligação: "Alô, Malufinho?  aqui é o Brig. Vaz. Tenho aqui em frente um aeromodelista,  rapazinho enjoado que reclama que não pode utilizar o  Modelodromo no Ibirapuera. Gostaríamos, se possível, de realizar no dia do Aviador uma grande festa no local. Ele diz que por falta do alambrado solicitado à Prefeitura como segurança para o público, estão proibidos os voos".  Conversou mais um pouco com o Prefeito e, discretamente colocando a mão sobre o telefone me pergunta:  "o Maluf diz que parecerá um galinheiro." Retruco na hora: "Não, não ficará. Nós pedimos um alambrado seguro e igual ao do Pacaembu."
Bem, encurtando, como terminou a  conversa?:  "Obrigado, Malufinho, no dia irei buscar você e sua família com meu helicóptero e desceremos no centro das pistas com Banda Militar e tudo o mais. Um abraço".
Incrível. Na semana seguinte, o local estava cheio de caminhões e a tempo construíram o alambrado tão importante que lá está até hoje.
No dia do Aviador, em Outubro de 1969, o Modelodromo do Ibirapuera foi reinaugurado com toda pompa, com o Brig. Vaz e o Prefeito Maluf chegando de helicóptero, conforme prometido .
 
Logicamente quem fez o grande discurso foi o Prefeito Maluf.


Na capa da Sport Modelismo, o discurso do então Prefeito Paulo Maluf



DISSABORES

Fiz uma observação no capítulo primeiro  do assunto Modelodromo, pela qual certamente serei cobrado por alguns amigos e terei de  esclarecer:
"...se conseguir a sua construção foi uma boa luta, fazê-lo funcionar bem, a meu ver, ainda é muito difícil".
 
Como talvez eu seja um dos mais idosos modelistas, sempre que ocorrem problemas com autoridades referente ao nosso apaixonante e maluco esporte, sou solicitado a tentar resolver.
 Para não melindrar eventuais companheiros que tanto colaboraram e colaboram comigo, vou  explicar, na continuação deste assunto a frase acima sobre as dificuldades de fazer funcionar a contento o Modelodromo.  Me aguardem.














sábado, 27 de outubro de 2012

AS DATAS DE OUTUBRO E SANTOS DUMONT

 
 

OUTUBRO - "SEMANA DA ASA"  E DIA DO AVIADOR

 
 
 
Conhecem essa peça?
Já pensou pilotar um avião desconhecido, sem proteção, capacetes etc...
Como diz o escritor do Livro "Asas da Loucura

Sentei defronte ao miserável computador que teima em brigar comigo, para dar continuidade ao artigo sobre o   Modelodromo de São Paulo. A continuação do  tema me parece  interessante,   pois se conseguir a sua construção  foi uma boa luta,  faze-lo  funcionar bem , a meu ver, ainda é muito difícil. Oportunamente explicarei por que. Vou abusar da paciência dos que me honram com a leitura do Blog e aqui solicitar uma pausa na história do Modelodromo, pois  lembro que estamos em Outubro e é imediata a ligação deste mês com  "Semana da Asa" e "Dia do Aviador".  É  este assunto tão importante para nós, brasileiros, que vou comentar. Prometo que voltarei em breve  a falar do Modelodromo em seu 2º Capitulo.

SEMANA DA ASA 

Este  Blog foi criado para tratar especialmente de aeromodelismo. Ao mencionar nossos aviõezinhos  devemos lembrar que o  principal  mérito está em se dar conhecimento a todos de quão importante é o papel desse esporte-ciência  na  formação  da  vocação aeronáutica.
Em todo território nacional festeja-se a Semana da Asa com shows aéreos e exposições de aviões. Nessas ocasiões  os aeromodelistas são também convidados para participar, mostrar suas habilidades de voo e construção. Em capítulo anterior deste Blog foram comentadas as apresentações especiais da "Equipe Senta Pua", montadas exatamente para essa finalidade, as quais geralmente se tornavam mesmo a melhor parte dos espetáculos.

Neste ano também tivemos em São Paulo, no Campo de Marte, os costumeiros festejos aviatórios proporcionados pelo 4º Comando Aéreo. Uma festa da aviação para a cidade. Muito bonita.
Homenageou-se a Semana da Asa, o Dia do Aviador, etc.
Mas, vejam só, não vi o nome do "Aviador", aquele que motivou a criação desse dia especial. Não li o nome de Santos Dumont. Não ouvi falar em 14-Bis. Apenas um ou outro órgão de imprensa mencionou a figura do patrício. Por que a  desatenção?

Ah, sinto-me envelhecido, um saudosista. Aproveito para fazer minha crítica. Bem, afinal, se tenho o compromisso de escrever "estas mal traçadas linhas" (coisa antiga, hein?), posso espernear um pouco.

Vivo em São Paulo, aqui nasci e muito provavelmente aqui terminará meu tempo (para o andar de cima só vão os bons). Tenho meus direitos.

Dumont e seu Demoiselle defronte ao Palacio da Princeza Izabel
Pouso fácil. em seus jardins

Vamos relembrar os fatos que me levam a celebrar tanto o nosso "Aviador":
 Em Outubro de 1906,  a pouco mais de 100 anos, um brasileiro doidão convoca a imprensa francesa para, na Praça de Bagatelle-Paris, tentar fazer voar um aparelho mais pesado que o ar, sem ajuda de catapulta. Faz um voo de mais de 200 metros de distância. Um milagre para espanto do público. O único até então realizado.
Esse maluco chamava-se Santos Dumont e deve ser avaliado não somente pelas suas qualidades como projetista, engenheiro, construtor de máquinas, mas pela ousadia de voar sem paraquedas, sem capacete,  num aparelho de performance de voo desconhecida, pois até então voava-se apenas em balões.
Esse feito foi um "start" à aviação. Partindo dele  já chegamos a Marte.
Em 1909 esse mesmo maluco projeta e constrói outro aparelho, o Demoiselle, um ultra-leve que até os dias de hoje  voa magnificamente bem por vários países, inclusive no Brasil. Um avanço enorme.
O nome "Demoiselle" foi escolhido por Santos Dumont em homenagem à nossa Princesa Izabel, a quem ele visitava frequentemente em Paris, chegando na aeronave e pousando nos jardins do palácio.

Os modelos de Dumont são muito apreciados. Vários aeromodelistas construíram réplicas  em escala, inclusive eu, provando as qualidades de voo dessas máquinas fantásticas.
Sabendo disso,  nosso  ex-Ministro da Aeronáutica, Sócrates Monteiro, um dia me deu  o livro "Asas da Loucura", escrito pelo premiado jornalista americano Paul Hoffman, o qual narra a verdadeira história da vida do aviador brasileiro.  Recomendo a leitura.
Ao me presentear, o Ministro fez um pedido:  que eu entrasse em contato com o Ministério de Aeronáutica  para organizar um grande concurso nacional somente para aeromodelos 14-BIS,  incluído nos festejos do Centenário do 1º voo de Santos Dumont, os quais aconteceriam em Brasília, no mês de Outubro de 2006. Como conheceu  bem o aeromodelismo e seus adeptos durante sua  trajetória militar em Cumbica/SP como piloto de  helicóptero, Sócrates Monteiro achava que o evento seria bem interessante. Ele queria, também,  provar ao seu colega Ministro da Aeronáutica do  Canadá que Santos  Dumont foi o primeiro a voar um aparelho mais pesado que o ar.
Embora eu não fosse mais dirigente da Associação Brasileira de Aeromodelismo - ABA,  a ideia me agradou. Era um belo desafio. Aceitei de imediato.
 
Fui convocado a organizar o evento  com todo  apoio logístico na Esplanada dos Ministérios - Brasília,  em contatos constantes com  Aeronáutica e  ABA para que fosse  divulgado durante seis meses,  mas nem por isso deixei de ter um exaustivo trabalho  até mesmo quanto ao avião militar que transportaria inscritos.
 Muito bem, sabem quantos aeromodelistas se apresentaram para o concurso?  Quatro. Sim,  eu disse  QUATRO.  Somente. Três que saíram de São Paulo comigo e um de Brasília. E nenhum modelo voou.
 
Quem fez um  belo voo foi um Demoiselle do amigo "Misturinha". Em seguida, encerrando a jornada naquele bonito local de Brasília, assistimos ao belíssimo vôo de um  14 - BIS  tamanho real,   construído e voado   pelo goiano Galassa. Ele provou que o bicho voava e bem. Saiu nos jornais. Foi a salvação do dia. Juro, nunca mais quero organizar algo parecido. Que fiasco!

Meu Demoiselle

Minha bronca? Acho que poucos parecem dar a devida  importância a Santos Dumont. Os jovens não sabem a respeito, não há divulgação constante, nem eventos especiais para o fato.
Por outro lado, sinto que o aeromodelismo também começa a patinar. Há muita TV, muitos games e o maldito ou bendito computador. Essa é a concorrência.
 Clubes de aeromodelismo funcionando  pelo sacrifício de  seus dirigentes. Como esporte, poucas competições com participação apenas regular. Campeonatos Brasileiros?  Sul-americanos? Mundiais? Só poucos privilegiados podem participar com recursos próprios. Durma-se com um  barulho desse. Desisto.
 
Sabem  como Santos Dumont morreu? Enforcou-se na cidade de Guarujá/SP. Dizem que foi por ver seu invento mal utilizado, usado para a guerra. Penso que não somente por isso. Ele sofria de grave doença  e pior, a dor da solidão após ter conhecido tanta glória. Não conseguiu escapar da depressão.
 
Nos Outubros, vamos sempre nos lembrar de um dos maiores de todos os brasileiros. Neste ano, 2012,  foi realizado um  concurso no SBT com votação nacional  para saber quem foi o maior brasileiro de todos os tempos.  Para defender como um advogado o nome de Dumont, foi indicada a querida esportista e escritora Lauret Godoy, que o fez com seu costumeiro brilhantismo.
Após três  meses e  milhares de votações, para a decisão final ficaram Santos Dumont,  Chico Xavier e, por coincidência, a Princesa Izabel.
 Com maior apelo popular venceu o grande Chico. Merecido.
Para mim, Santos também  foi  vencedor, e como sempre dou minha opinião:
Se em sua época  existisse Prêmio Nobel, certamente teríamos aí o 1º vencedor brasileiro.
O chamamos  de  "Pai da Aviação". Leiam o livro que mencionei. Conta tudo e por um repórter estrangeiro sem paixões nacionalistas.

 Ah, eu não sou vendedor de livros, tá?

O 14 Bis e Minha Oficina

Aconselho aos aeromodelistas:  procurem em suas cidades autoridades civis ou militares para auxiliá-los na organização de clubes, concursos etc.  Lutem por nossas ideias,  vamos tentar transformar o aeromodelismo  no valor que ele tem para a juventude.  Como eu, construam réplicas do 14-BIS. Ele  não será um grande voador, mas é um exemplo da mecânica  aérea e pode ajudar a encontrar respostas para certas dificuldades na construção de  modelos.
Construam também o Demoiselle. É uma graça e voa muito bem.

Meus amigos, acho que valeu a pena eu pensar em  Santos  Dumont.  Concordam?
 
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terça-feira, 16 de outubro de 2012

MODELÓDROMO - IBIRAPUERA - SÃO PAULO

CENTRO DE MODELISMO - MODELODROMO DE SP

1º CAPITULO

Certa vez  meu amigo Álvaro Caropreso, veterano aeromodelista e editor de revistas, me pediu que escrevesse a História do Modelodromo. É uma  matéria muito extensa, que foi publicada na integra em sua revista e posteriormente na Hobby News.  Como sempre me perguntam sobre o Modelodromo como nasceu etc...  vou aproveitar do Blog para mais sucintamente, descrever como tudo se iniciou.
Em 1966 eu fazia  parte da equipe brasileira que voltava ao Brasil em Congonhas, do Campeonato  Sul-americano disputado na Argentina. A equipe era completa e trazíamos  alguns troféus conquistados. Uniformizados, chamamos a atenção de um repórter que sempre existem nesses locais à procura de alguma notícia interessante. A primeira pergunta que fez foi curiosa: "o que são esses aviõezinhos?"
Santa ignorância, a culpa não é dele, mas sim nossa que nunca procuramos a imprensa para  dar noticias de nossas atividades. Outra pergunta: "Vocês ganharam muitas competições com esses troféus?". Aí acho que perdi um pouco o senso de humor. Desabafei: São poucas as provas que vencemos, somos muito fracos perto de nossos adversários. Infelizmente não  temos pistas apropriadas para treinamento, fazemos tudo improvisado em terrenos baldios. Insistiu o atrevido repórter:  "Alguma vez vocês pediram ajuda às autoridades civis ou principalmente da aeronáutica?" Não gostei.
Meio encabulado falei grosso:  você repórter e nós simples cidadãos, será que conseguimos falar com alguém importante sejam civis ou militares sem uma apresentação especial ou o que chamamos de "cartucho?".
 A conversa parou por ai.  Nos despedimos  e nos desculpamos pela grosseria. 
Meu amigo, no dia seguinte de manhã, abro o jornal que leio habitualmente e vejo em letras garrafais na seção de esportes: "EQUIPE BRASILEIRA DE AEROMODELISMO VOLTA DO CAMPEONATO SULAMERICANO NA ARGENTINA, LEVA UMA SURRA E CULPA AS AUTORIDADES PRINCIPALMENTE A PREFEITURA POR NUNCA TER SIDO ATENDIDA EM SEUS RECLAMOS".

Como poderia eu imaginar que o repórter talvez nesse dia não tenha tido noticia melhor a dar a seus leitores? Eu procurava  por uma pequena noticia sem muito realce. Por curiosidade, sabem quem era o Sr. Prefeito? Brigadeiro Faria Lima. Uma fera. Não deu outra. Estou no escritório, me chamam no telefone: era o secretário do Prefeito, informando que ele queria uma reunião urgente, e já marcando hora no dia seguinte em seu gabinete.
Na verdade, no passado, tivemos uma  pista asfaltada em local bonito, arborizado, na Av. IV Centenário no Ibirapuera. Tivemos bons campeonatos nesse local. Aí conheci o U-Control ou VCC. Era Presidente da entidade  Antônio Emilio Carlos Naldoni. Grande dirigente e ótimo amigo. Certa noite, eu disse "noite", um abilolado aeromodelista, tinha adquirido um modelo da moda,  movido a jato. Difícil de o motor pegar, mas quando pegava era um barulho só. Além do barulho o safado queria ver o brilho das fagulhas expelidas do jato quando em voo. Em pouco tempo veio ao seu encontro um cidadão andando bem devagar e educadamente falou: "Meu amigo, moro aqui ao lado, já é bem tarde, será que você não poderia praticar seu salutar esporte durante o dia? a resposta: "Vá para aquele lugar e não me encha o saco!"
 
Resultado - o cidadão era o secretario adjunto do  prefeito e sem mais no dia seguinte plantou um poste de iluminação no centro da pista. Transformou o local em "cachorródromo". Está lá até hoje. Acabou o VCC. Fim de papo.
Voltando a nossa história, no dia seguinte lá estava eu no horário previsto, sentado defronte ao Brigadeiro Faria Lima. Cara feia, foi logo dizendo: que negócio é esse de dizer ao repórter que não atendo os pedidos dos aeromodelistas? Alguma vez  vocês me procuraram? Meio assustado respondi: não sou politico e nem sei como abrir tantas portas para chegar ao Sr. Prefeito.

Mais relaxados, falamos de aeromodelismo, dificuldades em ter locais apropriados para a prática etc..
Demonstrando muito interesse em nos ajudar pois sempre julgou que o aeromodelismo era o embrião da vocação aeronáutica, sugeriu que eu procurasse um funcionário arquiteto da prefeitura levando material  para  identificar as modalidades e  áreas necessárias. Agradeci a audiência concedida, nos despedimos com um até breve e muito feliz fui procurar o departamento indicado. No local encontrei dois grandes amigos aeromodelistas,  Mario Monteiro e Gilberto Caldas. Aí só foi festa.

Como editor da Revista Sport Modelismo, recebia todos os meses em troca as SM revistas de todo o mundo.  Escolhi algumas que traziam pistas com medidas oficiais e me entusiasmei com a ideia de um  local com todos os tipos de modelismo. Sempre sonhei que se juntasse todas essas modalidades: Aero, Auto, Férreo, Nauti e Plastimodelismo, num só local seria uma quantidade bem expressiva de praticantes e de público interessado. Munido de material impresso levei a ideia ao Dr. Gilberto que abraçou com entusiasmo imediato em elaborar um anteprojeto.

Marcamos um dia para apresentar o projeto para o Sr. Prefeito. Como sempre muito  pontual nos recebeu, analisou superficialmente  e fez alguns comentários: "Porque três pintas de aero? Porque um tanque de água com 50 metros? E essa arquibancada?". Com essas observações logo percebemos que realmente estava  interessado no projeto. Esclarecemos: necessitamos de 3 pistas para poder realizar possíveis campeonatos mundiais quando a FAI exige as mesmas. O tanque para Nauti com 50 metros permite competições  com barcos com motores à explosão. Arquibancadas para o público e proteção contra o som emitido pelos motores,  e embaixo locais fechados para  práticas do Auto, Plasti e ferreomodelismo,  uma pequena casa de lanches, sanitários e uma sala para a Federação. Ansiosos esperamos uma resposta.
O Prefeito esclareceu: temos que diminuir o projeto pois os custos para construção serão elevados. Temos também uma encrenca com nosso vizinho que quer a área. Rapidamente trocamos algumas ideias e para não perder o embalo do entusiasmo do Sr. Prefeito, sugerimos construir apenas duas  pistas, um tanque  com 25 metros e arquibancada de igual tamanho. Sugestão aceita na hora. Saímos com a promessa que o projeto já modificado seria enviado para licitação. Exultantes, com rasgados agradecimentos ao Sr. Prefeito, agora era  só esperar as coisas acontecerem.
 
Planta Original do Modelodromo - 1967